Exames demais?

30 Mar, 2016

O excesso de exames de tomografia e ressonância magnética é tema que tem desperta a atenção de especialistas nos Estados Unidos.

Um dos especialistas que mais abordam o tema é o ex-presidente da Sociedade Norte-Americana de Radiologia (RSNA), Dr. George Bisset III. Para ele, “o público norte-americano está começando a ter uma percepção do uso excessivo ou errado dos meios de diagnóstico por imagem. E esse uso indiscriminado pode dificultar a vida dos próprios radiologistas”.

Nos Estados Unidos não há necessidade de ter um pedido médico para solicitar um exame e, segundo o Dr. Bisset, vários shoppings centers abrigam clínicas que se autopromovem. Ao ver os anúncios, a pessoa que está olhando vitrines pode achar o apelo interessante e decidir entrar na clínica e sair de lá com uma imagem interna de seu corpo, dos pés à cabeça.

Para o médico americano, um dos motivos que demandam exames é a quantidade de informações disponíveis na internet, fazendo com que os pacientes busquem informações. Ele também aponta os médicos não radiologistas que possuem seus próprios equipamentos como colaboradores da situação atual. “Se um ortopedista compra uma tomografia, ele precisa pagá-la, então começa a pedir mais exames autorreferenciados”, explica. 



Radiologia acompanhada do medo
A questão dos processos judiciais nos Estados Unidos também contribui para essa situação, o que o Dr. Bisset chama de “medicina defensiva”. Ele aponta uma pesquisa da Massachusetts Medical Society, na qual 25% dos exames são feitos para prevenir ações judiciais. E, segundo ele, o risco de um processo é de apenas 0,1%. 

Desta forma, a radiologia praticada atualmente está sempre acompanhada do medo, o que implica na recomendação de seguimento mesmo quando o problema não é grave. “Exames demais quase nunca trazem benefícios e podem trazer malefícios, pois geram falsos negativos”, afirma. Segundo ele, os médicos atuais, assim como Dom Quixote, lutam contra dois tipos de moinhos: a busca pela certeza absoluta e a aversão total ao risco.

Imagem ao invés de exame clínico
Muitas vezes, para ganhar tempo, os médicos, segundo o Dr. Bisset, se valem de exames de imagem em vez de um exame clínico mais aprofundado e, em seu ponto de vista, essa situação em breve deve gerar medidas mais drásticas por parte das operadoras de saúde nos Estados Unidos. 

Por fim, ele faz um alerta: “É a hora, portanto, de os próprios médicos começarem a avaliar a situação e de promover mudanças profundas na educação médica. Temos de ser modelos exemplares de redução de custos e ensinar a leitura crítica dos exames e a escuta atenta dos pacientes aos nossos alunos”.

(Fonte: jornal ID – Interação Diagnóstica – nº 74)

 

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