Tuberculose: doença antiga que mais mata no mundo

Segundo a OMS 10 milhões de pessoas adoecem por tuberculose no mundo e mais de um milhão vão a óbito, anualmente.

29 Abr, 2019

Cerca de 10 milhões de pessoas adoecem por tuberculose no mundo, levando mais de um milhão de pessoas a óbito, anualmente, de acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a doença é um sério problema da saúde pública, com profundas raízes sociais.

A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos, e ocorrem cerca de 4,5 mil mortes em decorrência da tuberculose, segundo os dados do último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em 2017.

A tuberculose é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch, que afeta prioritariamente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos e/ou sistemas. É contagiosa e transmissível  por meio das vias áereas durante a fala, espirro ou tosse das pessoas com tuberculose ativa (pulmonar ou laríngea), que lançam no ar partículas em forma de aerossóis que contêm bacilos. Ao contrário dos que muitos acreditam, a tuberculose não se transmite por objetos compartilhados como talheres, copos, entre outros.

No entanto, o ideal é que as medidas de controle sejam implantadas até que haja a negativação da baciloscopia, tais como cobrir a boca com o braço ou lenço ao tossir, manter o ambiente bem ventilado e com bastante luz solar, a qual o bacilo é sensível, e a circulação de ar possibilita a dispersão de partículas infectantes. Com isso, ambientes ventilados e com luz natural direta diminuem o risco de transmissão.

A forma pulmonar, além de ser mais frequente, é também a mais relevante para a saúde pública, principalmente a positiva à baciloscopia, pois é a principal responsável pela manutenção da cadeia de transmissão da doença. A forma extrapulmonar, que acomete outros órgãos que não o pulmão, ocorre mais frequentemente em pessoas que vivem com o HIV, especialmente entre aquelas com comprometimento imunológico.

Principais sintomas e diagnóstico

O principal sintoma dessa doença é a tosse na forma seca ou produtiva. Por isso, recomenda-se que todo sintomático respiratório que é a pessoa com tosse por três semanas ou mais, seja investigada para tuberculose. Há outros sinais e sintomas que podem estar presentes, como a febre vespertina; sudorese noturna; emagrecimento e cansaço/fadiga.

Ao apresentar esses sintomas, é fundamental procurar unidade de saúde mais próxima da residência para avaliação e realização de exames. Se o resultado for positivo para tuberculose, deve se iniciar o tratamento o mais rápido possível e segui-lo até o final.

Para o diagnóstico da tuberculose são utilizados os seguintes exames:

Bacteriológicos

  • baciloscopia
  • teste rápido molecular para tuberculose
  • cultura para micobactéria

Por imagem (exame complementar)

  • Radiografia de tórax, que deve ser realizada em todas as pessoas com suspeita clínica de tuberculose pulmonar. Juntamente com as radiografias de tórax, sempre devem ser realizados exames laboratoriais (baciloscopias e/ou teste rápido molecular e cultura) na tentativa de buscar o diagnóstico bacteriológico.

O diagnóstico clínico pode ser considerado, na impossibilidade de se comprovar a tuberculose por meio de exames laboratoriais. Nesses casos, deve ser associado aos sinais e sintomas o resultado de outros exames complementares, como de imagem e histológicos.

Tratamento

O tratamento da tuberculose dura no mínimo, seis meses, é gratuito e disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS), e deve ser realizado, preferencialmente em regime de Tratamento Diretamente Observado (TDO), indicado como principal ação de apoio e monitoramento do tratamento das pessoas com tuberculose e pressupõe uma atuação comprometida e humanizada dos profissionais de saúde.

Além da construção do vínculo entre profissional de saúde e a pessoa com tuberculose, o TDO inclui a observação da ingestão dos medicamentos pelo paciente, sob a observação de um profissional de saúde ou outros profissionais capacitados, por exemplo, profissionais da assistência social, entre outros, desde que supervisionados por profissionais de saúde.

O TDO deve ser realizado, idealmente, em todos os dias úteis da semana. O local e o horário para a realização do TDO devem ser acordados com a pessoa e o serviço de saúde.

A pessoa com tuberculose deve ser orientada, de forma clara, quanto às características da doença e do tratamento a que será submetido, sobre o uso dos medicamentos, duração e regime de tratamento, benefícios do uso regular dos medicamentos, possíveis consequências do uso irregular dos mesmos e eventos adversos.

Logo nas primeiras semanas de tratamento, o paciente se sente melhor e, por isso, precisa ser orientado pelo profissional de saúde a realizar o tratamento até o final, independentemente da melhora dos sintomas. É importante lembrar que o tratamento irregular pode complicar a doença e resultar no desenvolvimento de tuberculose drogarresistente.

São utilizados quatro fármacos para o tratamento dos casos de tuberculose que utilizam o esquema básico: rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. Todas as pessoas que seguem o tratamento corretamente ficam curadas da doença.

Prevenção

A principal maneira de prevenir a tuberculose em crianças é com a vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin), ofertada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa vacina deve ser dada às crianças ao nascer, ou, no máximo, até 04 anos, 11 meses e 29 dias.

A vacina BCG protege a criança das formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a meníngea.  A vacina está disponível nas salas de vacinação das unidades básicas de saúde e maternidades.

Outra maneira de prevenir a doença é a avaliação de contatos de pessoas com tuberculose, que permite identificar a Infecção Latente pelo Mycobacterium tuberculosis, o que possibilita prevenir o desenvolvimento de tuberculose ativa. Em outras situações específicas, pessoas que são diagnósticas com a infecção latente da tuberculose também tem indicação de receber tratamento para prevenir o adoecimento. Neste caso, é necessário procurar uma unidade de saúde para avaliação.

Além disso, outra medida de prevenção da doença, é manter ambientes bem ventilados e com entrada da luz solar.

O programa Brasil Livre da Tuberculose foi criado, com um plano nacional pelo fim da doença como problema de saúde pública até 2035, para combater a doença e diminuir a incidência e mortalidade para um caso a cada 100 mil habitantes. Atualmente, o índice gira em torno de 33,5 casos para cada 100 mil habitantes.

Determinantes Sociais

A tuberculose é um dos agravos fortemente influenciados pela determinação social, apresentando uma relação direta com a pobreza e a exclusão social. Assim, torna-se importante a interlocução com as demais políticas públicas, sobretudo a assistência social, num esforço de construir estratégias intersetoriais como forma de viabilizar proteção social às pessoas com tuberculose.

Iniciativas locais (municipais ou estaduais) são importantes, como a oferta de benefícios sociais ou incentivos como o auxílio alimentação, transporte, entre outras, dado que fortalece a adesão ao tratamento da tuberculose, propiciando um melhor desfecho.

Desde 2000, esforços globais para combater esta doença evitável e curável salvaram uma estimativa de 54 milhões de vidas e reduziram a taxa de mortalidade em 42%. O Dia Mundial de Combate à Tuberculose, sempre em 24 de março, que tem como tema este ano: “é hora de acabar com a tuberculose”, serve para aumentar conscientização sobre as devastadoras consequências de saúde, econômicas e sociais da doença e para aumentar esforços para o fim da epidemia global. Em 24 de março de 1882, Robert Koch anunciou a descoberta da bactéria que causa a tuberculose – abrindo caminho para diagnosticar e curar a infecção.

Fonte: Ministério da Saúde/http://bvsms.saude.gov.br 

 

Compartilhe


NOTÍCIAS RELACIONADAS